Estratégias

Estratégias Político-Pedagógicas

Aqui você encontrará algumas diretrizes e orientações gerais para situações de agressão. Sãoiniciativas e ações norteadoras, que podem ajudar a comunidade escolar a enfrentar casos de perseguição a docentes. Trata-se de um “O que fazer?”. Vamos lá?

Identificar e mobilizar aliados na comunidade escolar

Quem é ameaçado deve imediatamente buscar apoio junto a seus pares, ao sindicato de sua categoria e à comunidade escolar. É importante relatar o ocorrido, estabelecendo um primeiro canal de diálogo. Num segundo momento, pode-se organizar abaixo-assinados na escola e usar as redes sociais para denunciar intimidações e ameaças. Dependendo da amplitude da perseguição, pode ser necessário buscar apoios externos nos movimentos sociais, nos sindicatos e na imprensa para dar publicidade ao problema.

Envolver o sindicato de sua categoria

Os sindicatos dos profissionais da educação são aliados importantes para o enfrentamento coletivo da situação. Além disso, eles ajudam a dar visibilidade pública às ameaças nas escolas, sobretudo quando provenientes da gestão escolar ou da rede de ensino (supervisores, dirigentes, secretários de educação etc.).
Os casos que trabalhamos aqui foram amplamente divulgados pela imprensa e contaram com apoio institucional (e frequentemente jurídico) dos sindicatos de profissionais da educação. Por isso, mais do que nunca, participar ativamente de movimentos pelo direito à educação e fortalecer a organização sindical são fundamentais para somar forças e reagir coletivamente aos retrocessos.

Dar publicidade ao problema

A maior parte dos casos de intimidação e perseguição a profissionais da educação começa com a exposição de professores, alunos, gestores escolares. Essa exposição acontece em redes sociais e grupos de WhatsApp. Quando isso acontece, é importante tomar a frente da situação e trabalhar para conter a disseminação de informações caluniosas.
Como já dito, os sindicatos e a imprensa são aliados importantes para a visibilidade pública às ameaças nas escolas. São aliados, sobretudo, quando as ameaças não puderem contar com o apoio dos gestores da rede de ensino (Diretoria de Ensino, Secretaria de Educação etc.).

Exigir um posicionamento da rede de ensino

Quando uma escola é ameaçada (na figura de um diretor, coordenador pedagógico ou professor), é muito importante exigir um posicionamento da rede de ensino. Esse posicionamento deve sempre defender a liberdade da escola decidir sobre as suas estratégias pedagógicas, rechaçando ingerências de agentes externos do cotidiano escolar.

Mapear conflitos e aprender com eles

Pessoas que fazem denúncias contra professores, em geral, têm a sensação de que as suas opiniões não são ouvidas ou valorizadas pela comunidade escolar. Precisamos lembrar que uma postura considerada preconceituosa pode soar perfeitamente lógica e racional para pessoas que compartilham universos de valores diferentes dos nossos. Se conseguirmos, no cotidiano escolar, discutir essas questões de forma aberta, democrática e contínua, será mais fácil mapear os conflitos internos e evitar que algumas dessas denúncias aconteçam.
Problematizar as diferenças deve estar na ordem do dia do trabalho pedagógico nas escolas. É preciso tirar proveito pedagógico dos conflitos no espaço escolar, transformando-os em situações de aprendizagem. É isso, afinal, o que os profissionais da educação sabem fazer melhor.

Construir relações de confiança entre famílias e professores

As escolas devem favorecer espaços de diálogo educacional e pedagógico entre as famílias de seus alunos e os professores. Esses espaços devem ser permanentes, para que não sejam acionados apenas nos momentos de conflito.
Uma vez instalado um conflito, nossa primeira recomendação é que ele seja resolvido à base do diálogo entre as pessoas envolvidas. Quando o diálogo direto não for suficiente, as escolas (diretores, coordenadores pedagógicos) têm a obrigação de mediar a situação.
Essa prática vai fortalecer as relações de confiança entre professores, alunos e famílias. Uma confiança que se constrói com a valorização da diversidade e da diferença e do combate a todas as formas de violência e discriminação.

Promover a gestão democrática escolar comprometida com o direito à educação de todas e todos

A Constituição Federal (Art. 207) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Art. 14) estabeleceram os princípios da educação nacional. Entre eles está a “gestão democrática do ensino público”. Isso significa que a gestão das escolas públicas, bem como as relações cotidianas entre os diversos membros da comunidade escolar, deve se pautar pelos princípios da democracia.
A gestão democrática da escola pública envolve a participação de professores, agentes escolares, gestores, dos estudantes, das famílias e da comunidade local nos debates acerca do processo educativo.
A gestão democrática da escola é condição fundamental à formação de estudantes capazes de exercer a cidadania por meio de participação ativa no processo educativo. Portanto, a relação entre os membros da comunidade escolar não é de antagonismos, mas de construção de convergências, a partir do respeito às diferenças, em prol de uma educação de qualidade, inclusiva, democrática e que contribua para o enfrentamento de todas as formas de preconceito, discriminação e violência.
Para isso, é fundamental que as escolas invistam no fortalecimento dos Conselhos Escolares. Assim, famílias, estudantes e profissionais da educação poderão debater o cotidiano escolar e tomar decisões coletivas a seu respeito.

Criar espaços de debate plural nas escolas

Conhecer diferentes correntes de pensamento, reconhecidas pela importância de sua contribuição em diferentes áreas do conhecimento, é fundamental para a formação intelectual, moral e ética dos estudantes. Isso não significa, em hipótese nenhuma, a adesão involuntária dos estudantes a tais ideias.
Independentemente do posicionamento político de cada pessoa, atos de intimidação, ameaça ou perseguição no espaço escolar não podem ser apoiados ou tratados com indiferença pelo corpo docente e pela gestão escolar.
Para evitar conflitos causados pela repercussão de trabalhos pedagógicos desenvolvidos pelos professores, é importante que a escola procure debater os conteúdos de ensino e as diferentes opções pedagógicas que tornam as escolas espaços do pluralismo de ideias e de concepções. Esse debate deve envolver professores, estudantes e famílias.
Mas atenção! Não se pode confundir a defesa da liberdade e do pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, princípios constitucionais que regem o ensino no Brasil, com a visão de que, em nome da liberdade, tudo é permitido.
A defesa das liberdades de expressão e de concepções pedagógicas não autorizam a disseminação de preconceitos nem ameaças e intimidações contra professores.

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